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domingo, 19 de novembro de 2017

Jampa, "eu amei te ver, eu amei te ver!"



Não faz tanto tempo que voltei de João Pessoa - Jampa, para os íntimos - e já estou com vontade de voltar. Sinto falta de tomar água de coco todo dia (cada coco custava R$ 2 e, na barraca onde eu comprava, três cocos saíam por R$ 5; em São Paulo cada coco custa R$ 5) e caminhar na praia depois que o sol baixava, ou seja, a partir das 17h. O sol das 10h às 16h é cruel, então, sempre que podia, ficava jogada na cama dormindo ou lendo com a janela aberta e o ventilador ligado depois do almoço. 

Essa viagem me fez perceber que provavelmente conseguiria abrir mão de São Paulo para viver num lugar menos estressante. A vida cultural frenética me faria falta, é claro, mas daria para ser feliz da mesma forma. Eu não ficaria enlouquecida com tantas exposições, eventos culturais e estreias de filmes que me interessam, mas teria muito mais tempo para ler numa rede na varanda, por exemplo.

Visitei vários lugares turísticos maravilhosos e senti falta de ir a lugares mais frequentados por locais, por isso quero/ preciso voltar! Espero que consiga fazer isso no ano que vem.

Uma curiosidade: por ser o lugar mais oriental das Américas, o sol nasce primeiro lá. Às 4h30 da manhã já começava a amanhecer (!!). Me senti um pouco no verão da Islândia.

Essa viagem continua em outro post.


Mingei, curta-metragem e debate


Nesse sábado fui assistir ao curta-metragem documental Mingei - Em busca do artesanato popular do Japão na Unibes Cultural, um centro cultural que fica literalmente ao lado da estação de metrô Sumaré, e a sessão foi seguida de um bate-papo com a pesquisadora Silvia Sasaoka e com o diretor Rica Saito.

Como voltei a estudar japonês, meu interesse por cultura japonesa (e por coisas que nipo-brasileiros andam fazendo por aqui) está ainda maior, então fui conferir. E pelo visto não era a única interessada, pois a sessão lotou.

O curta de 25 minutos faz um recorte de alguns tipos de artesanato popular (mingei = minshu [povo] + kogei [artesanato]) no Japão e foi retirado de filmagens praticamente amadoras e entrevistas que Silvia Sasaoka fez com mestres artesãos em sua viagem ao Japão em 2002. O interessante é que ela viajou por várias partes do país e pôde descobrir um Japão diferente do que se vê normalmente na mídia. A região de Okinawa me pareceu interessante por ter influência de várias culturas (China, Coreia e Indonésia).

Foi bom descobrir esse tipo de arte e também triste constatar que o artesanato popular está rareando, provavelmente no mundo inteiro, porque os produtos são cada vez mais feitos em escala industrial, muitas vezes na China, por um preço muito menor.

Para quem se interessar: há mais informações no site da Japan Foundation e o teaser do curta pode ser visto aqui (o diretor e a pesquisadora pretendem lançar um documentário que talvez se chame "As quatro ilhas do artesanato"; eles e o produtor executivo buscaram patrocínio por cinco anos, mas não conseguiram).


Observação: toda vez que vejo trabalhos de pessoas tentando resgatar partes da própria origem e entender um pouco mais sobre a cultura de onde vieram, tenho uma sensação estranha e ao mesmo tempo familiar. Às vezes, chego a algumas conclusões sobre mim mesma. Hoje concluí que queria voltar no tempo, ter aprendido japonês logo que nasci para ter interagido mais e melhor com meus avós; talvez meu avô paterno, o mais "intelectual" dos quatro avós japoneses, pudesse ter me proporcionado várias conversas enriquecedoras. Até onde sei, ele foi o único dos meus avós a vir para o Brasil por vontade própria, aos 18/19 anos, e me pergunto por que raios ele fez isso se tinha uma vida confortável no Japão - diferente dos outros avós, que vieram mais por necessidade. Tenho muitas perguntas agora e, se quiser respostas, precisarei entrevistar meu pai e meus tios mais velhos. Talvez não haja muito tempo. Preciso me apressar. Talvez, no futuro, eu consiga transformar isso tudo em alguma coisa que valha a pena para mim e para outras pessoas.