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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Ruídos mentais no vazio



Os dias andam meio bagunçados. Preciso resolver várias coisas chatas de ordem prática (ir à Eletropaulo, ir à imobiliária, revisar livros que estou devendo, marcar consulta com a médica, com a dentista, solicitar um recurso num órgão burocrático, organizar livros, me desfazer dos excessos) e, em meio a isso, ruídos mentais.

Sair do automático está sendo um processo estranho. Não sentir cansaço o tempo todo, uma alegria. Não precisar mais acordar às 5h30 da manhã para ir trabalhar, um alívio. E ter tempo para pensar, um luxo perturbador.

De tempos em tempos me questiono se os caminhos que estou tomando fazem sentido; é como se eu precisasse peneirar tudo e decidir do que preciso abrir mão e o que preciso manter para continuar sendo eu mesma. Estou passando por essa fase agora, de novo, e tentando desembaraçar os ruídos.

Olho em volta e me pergunto se as pessoas estão onde estão porque escolheram estar ali ou porque se deixaram levar por pais, amigos, professores, outras pessoas (razoáveis ou não), situações, preguiça ou por uma promessa de felicidade. Será que são felizes? Estão vivendo? Estão sentindo? Ou apenas se deixando levar? Será que estão aproveitando todo o potencial que têm? Se pudessem voltar no tempo, fariam as mesmas escolhas pessoais e profissionais? Estão perdendo tempo/ vida? Os objetivos traçados no passado foram alcançados? Serão alcançados algum dia? Será que se arrependem do que fizeram? Do que não fizeram? Ainda dá tempo de mudar a rota?

Penso com carinho em várias pessoas que conheci e nas escolhas que fizeram. No dentista que ia escrever um livro inovador para sua área; na vizinha que queria ser jornalista e que não se importaria em ser enviada para cobrir guerras e desastres; em uma amiga virtual que queria ser escritora; em um colega que queria ser desenhista, em outro que queria ser pai; em um amigo que queria ser uma referência como designer; em uma garota que não sabia bem o que queria, mas que eu achava que tinha potencial para ser o que quisesse (na verdade, conheço várias garotas assim, incríveis); em outra que queria ser atriz, em outra que queria ser fotógrafa de guerra... Não chegaram lá. E talvez nunca cheguem porque tomaram outros rumo e agora têm outras prioridades.

É perturbador pensar que as decisões que vou tomar agora vão ecoar no futuro, porque não tem como ser diferente. Tenho medo de não ser "assertiva". Me pergunto se ao abrir mão de coisas que adoro e nas quais acredito e priorizar coisas de ordem prática (nas quais tendo a ser bem ruim) estarei mutilando a minha essência. E em como essa história pode acabar. (Comigo virando um zumbi ou uma autômata, talvez?)

Mas hoje tomei a decisão de não me angustiar mais com o futuro e, ao mesmo tempo, estabelecer prioridades, com foco no que gosto e acredito, e me mover nessa direção. Talvez seja um começo para não perder a minha essência e nem me perder. Talvez eu acabe chegando lá. Seja "lá" onde for.


2 comentários:

Ricardo de Almeida Rocha disse...

muito bom post e reflexoes. sempre dá tempo de corrigir a rota =)

aline naomi disse...

Espero que sim, Ricardo! :)