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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Sexo explícito

Quando eu tinha 8 anos, estava na segunda série em uma escola estadual perto de casa e minha mãe me levava e buscava. O trajeto durava uns quinze ou vinte minutos a pé (e talvez dez minutos de bicicleta - às vezes ela me levava de bicicleta). Metade do trajeto era uma "passarela" interrompida por pracinhas, que eram o fim de ruas sem saída dos dois lados.

(Consegui encontrar uma imagem da tal "passarela", como era chamada, no Google Maps.)


Tanto do lado direito quanto do esquerdo, havia muros pichados. E lembro de uma coisa específica que lia todo dia, mas não conseguia entender: "SEXO EXPLÍCITO". Até que um dia perguntei para minha mãe o que significava "explícito", porque intuía que "sexo" devia ser algo constrangedor. Ela me respondeu que "explícito" queria dizer "claro, que dá para entender". Hmmm. "Sexo claro". Claro que continuei sem entender. E até hoje não entendo por que alguém em sã consciência picharia "SEXO EXPLÍCITO" em um muro. Talvez fizesse sentido em São José dos Campos em 1988, assim como faz todo sentido comer coxinhas doces por lá hoje em dia; talvez pessoas fizessem sexo explícito naquele lugar específico (?), sendo a pichação, portanto, um convite, uma senha, para voyeurs, vai saber.

Lembrei desse episódio pessoal quando fui ver a peça Nu, de botas, inspirada no livro homônimo do Antonio Prata, com a Mila mês passado. Como ri muito na peça, fui ler o livro, que a Marina já tinha me indicado faz tempo. (Desconfio que a Marina gostou tanto desse livro porque até hoje tem a imaginação do Antonio Prata criança.) 



Nu, de botas reúne várias crônicas de infância narradas em primeira pessoa pelo autor, que tentava entender como as coisas funcionavam ao seu redor. E são histórias muito, muito engraçadas. "Blowing in the wind", em particular, é de chorar de rir: num fim de semana, o pai dele, o escritor Mario Prata, resolveu levar as crianças (ele, sua irmã e sua meia-irmã) para o Pico do Jaraguá, em São Paulo. No caminho de ida, sua irmã viu uma mulher chupando o pinto de um cara dentro de um carro parado no acostamento e isso deu início a um alvoroço, as crianças começaram a gritar e rir sem parar. Até que o seu Mario perguntou: "O que é que tem?" e explicou que todo mundo que namorava chupava pinto, o que não fazia o mínimo sentido para a lógica infantil. O fim é mais tragicômico ainda. (Dá para ler uma versão ligeiramente diferente do livro aqui no Estadão).

Foi muito bacana ter lido essas crônicas porque me fez lembrar que muitas coisas não têm a mínima lógica quando somos crianças - e que muitas outras continuam sem sentido mesmo depois que crescemos. 

8 comentários:

flavia disse...

Acho que isso devia ser algum codigo secreto em SJC, eu estudava no Monte Castelo e a molecada "pichava" isso na lousa tbm!ahahah

aline naomi disse...

HAHAHAHAHAHAHA!! Gente. Que coisa mais sem noção, flavia!

flavia disse...

Lembro que perguntamos p/ professora de Biologia o que significava e ela nao quis responder hahahaha

aline naomi disse...

HAHAHAHAHAHAHAHA... que situação! No lugar da professora eu também não responderia. O que responder? =D

Fernanda disse...

hahahahaha adorei!

no muro perto de casa, também no caminho da escola, tinha uma pixação que dizia: "pica na buça" e eu e o meu irmão morríamos de rir, acho que do som, pq não parávamos de repetir... e minha mãe fazia a desentendida, talvez tenha até mudado o caminho por um tempo, hahaha.

beijo

aline naomi disse...

"Pica na buça"?? HAHAHAHAHAHAHA!! Gente, POR QUE POR QUE POR QUE as pessoas escrevem essas coisas no muro? HAHAHAHAHAHA...
Beijo, Fer!

Lúcia Harumi disse...

KKKKKKK Lembrei-me de um comentário da empregada da Tia Alice: "Marquinho (uns 5 anos de idade) falou 'caralho'" (ela disse chocada). Eu, com uns 25, não sabia o que significava tal palavrão. Mas pra não dar de ingênua, eu: "Nossa, que horror!" KKKKKK EU ERA INGÊNUA AOS 25!!!

aline naomi disse...

Hahahahaha, nossa, era muito ingênua mesmo!! =D