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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Terça é dia de Fruta Imperfeita!


Estou há algum tempo para escrever sobre a Fruta Imperfeita, uma empresa que distribui frutas e legumes "imperfeitos" (fora do padrão exigido por grandes distribuidores, supermercados, hortifrutis etc. e que geralmente são descartados) em algumas regiões de São Paulo. Em cada dia da semana fazem entregas em bairros especificados no site e resolvi escrever sobre isso hoje, porque terça é dia de receber a cesta. 


A Yuri começou a assinar essa cesta há alguns meses, depois renovamos mais duas vezes. O plano mais longo é o bimestral (tem também a cesta avulsa e o plano mensal).


Escolhemos a cesta mista PP, de 3 kg, que vem com até 8 frutas e legumes diferentes, e como renovamos o plano bimestral, receberemos 8 caixas ao longo de dois meses. 

As frutas e legumes vêm dentro de um saco plástico e algumas frutas (mamão e banana, por exemplo) vêm embrulhados em um saco de papel:


Hoje recebemos berinjela, maracujá, mamão, banana, batata, brócolis e maçã:


Li essa matéria sobre a Fruta Imperfeita e achei interessante; é sobre a história da empresa, dos sócios, erros e acertos, a vontade de empreender e combater o desperdício de comida e também sobre a falta de estrutura para atender tanta demanda depois que a empresa foi divulgada no Catraca Livre no início de 2016. Gosto da filosofia por trás da Fruta Imperfeita; talvez, hoje em dia, esse seja um caminho possível e o mais inteligente: empresas que suprem uma demanda por produtos saudáveis, com baixo custo e que tem um impacto socioambiental.

A empresa pede para retornarmos as cestas (caixas de papelão) para que elas sejam reutilizadas. Nem sempre lembramos de deixar a caixa na portaria às terças, aí deixamos acumular algumas... mas depois devolvemos tudo de uma vez.



Pontos positivos: 

- não preciso carregar tanto peso quando vou à feira no domingo, porque sei que na terça vão chegar mais frutas e legumes para preparar as refeições da semana;
- o valor da assinatura compensa e dá um certo alívio na consciência saber que mais pessoas estão consumindo alimentos que poderiam ir para o lixo (seria muito desperdício!);
- a empresa envia algumas frutas ou legumes que eu não compraria por falta de costume ou por não saber preparar, o que me obriga a procurar novas receitas (estou com uma miniabóbora para preparar; provavelmente vai virar um purê).

Pontos negativos:
- às vezes os produtos vêm muito maduros e preciso prepará-los no mesmo dia ou, no máximo, no dia seguinte (por exemplo, o brócolis que veio hoje, já cozinhei, porque já estava começando a amarelar);
- recebo banana quase toda semana (e o gosto dessa banana não é tãããão bom, então acabo fazendo vitaminas) e sei que eventualmente vou receber alguma outra coisa com essa mesma frequência;
- algumas frutas são colhidas muito verdes e não amadurecem direito (começam a apodrecer antes de amadurecer e/ou ficam azedas, como as mangas e kiwis).


Apesar dos pontos negativos, que são bem pessoais, no geral, vale a pena assinar a cesta e fazer parte desse projeto.

Conheça mais sobre a empresa: http://frutaimperfeita.com.br


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Sexo explícito

Quando eu tinha 8 anos, estava na segunda série em uma escola estadual perto de casa e minha mãe me levava e buscava. O trajeto durava uns quinze ou vinte minutos a pé (e talvez dez minutos de bicicleta - às vezes ela me levava de bicicleta). Metade do trajeto era uma "passarela" interrompida por pracinhas, que eram o fim de ruas sem saída dos dois lados.

(Consegui encontrar uma imagem da tal "passarela", como era chamada, no Google Maps.)


Tanto do lado direito quanto do esquerdo, havia muros pichados. E lembro de uma coisa específica que lia todo dia, mas não conseguia entender: "SEXO EXPLÍCITO". Até que um dia perguntei para minha mãe o que significava "explícito", porque intuía que "sexo" devia ser algo constrangedor. Ela me respondeu que "explícito" queria dizer "claro, que dá para entender". Hmmm. "Sexo claro". Claro que continuei sem entender. E até hoje não entendo por que alguém em sã consciência picharia "SEXO EXPLÍCITO" em um muro. Talvez fizesse sentido em São José dos Campos em 1988, assim como faz todo sentido comer coxinhas doces por lá hoje em dia; talvez pessoas fizessem sexo explícito naquele lugar específico (?), sendo a pichação, portanto, um convite, uma senha, para voyeurs, vai saber.

Lembrei desse episódio pessoal quando fui ver a peça Nu, de botas, inspirada no livro homônimo do Antonio Prata, com a Mila mês passado. Como ri muito na peça, fui ler o livro, que a Marina já tinha me indicado faz tempo. (Desconfio que a Marina gostou tanto desse livro porque até hoje tem a imaginação do Antonio Prata criança.) 



Nu, de botas reúne várias crônicas de infância narradas em primeira pessoa pelo autor, que tentava entender como as coisas funcionavam ao seu redor. E são histórias muito, muito engraçadas. "Blowing in the wind", em particular, é de chorar de rir: num fim de semana, o pai dele, o escritor Mario Prata, resolveu levar as crianças (ele, sua irmã e sua meia-irmã) para o Pico do Jaraguá, em São Paulo. No caminho de ida, sua irmã viu uma mulher chupando o pinto de um cara dentro de um carro parado no acostamento e isso deu início a um alvoroço, as crianças começaram a gritar e rir sem parar. Até que o seu Mario perguntou: "O que é que tem?" e explicou que todo mundo que namorava chupava pinto, o que não fazia o mínimo sentido para a lógica infantil. O fim é mais tragicômico ainda. (Dá para ler uma versão ligeiramente diferente do livro aqui no Estadão).

Foi muito bacana ter lido essas crônicas porque me fez lembrar que muitas coisas não têm a mínima lógica quando somos crianças - e que muitas outras continuam sem sentido mesmo depois que crescemos.