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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Contos de mentira - Luisa Geisler


Título: Contos de mentira
Autora: Luisa Geisler
Editora: Record
Nº de páginas: 128
Ano de publicação: 2011

***

Esse foi o segundo livro da Luisa Geisler que li. O primeiro foi Luzes de emergência se acenderão automaticamente, que tem uma capa linda.

[Esse post deveria ser apenas sobre o Contos de mentira, mas gostaria de aproveitar para comentar sobre esse outro livro também.]



Em Luzes de emergência..., Henrique (Ike), um garoto universitário de Canoas, no Rio Grande do Sul, que também é a cidade natal da autora, escreve cartas para um amigo, Gabriel, que está em coma em um hospital. As cartas supostamente são para Gabriel saber o que aconteceu enquanto ele estava "dormindo" depois que ele acordasse. Nas cartas Henrique conta sobre seu dia a dia, sobre o trabalho em uma loja de conveniência de um posto de gasolina, a namorada, os amigos, já que não pode mais conversar com Gabriel, como faziam antes.

O que me chamou a atenção é que tudo parece muito verossímil. A história parece mesmo narrada por um garoto de vinte e poucos anos; as marcas de linguagem tipicamente gaúchas foram mantidas (tu, ti, contigo, algumas gírias ou modos de expressão); para quem já foi a Canoas e já andou de Trensurb, as descrições são perfeitas. A narrativa flui bem e a leitura é instigante.

Saiu uma matéria sobre esse livro no jornal Estadão em julho de 2014 (cliquem aqui para ler).


Foto tirada da matéria do Estadão

Antes de falar sobre Contos de mentira, gostaria de comentar um pouco sobre a Luisa Geisler, porque a trajetória dela é impressionante... em 2010, com 19 anos, ela ganhou o Prêmio SESC de Literatura na categoria contos (Contos de mentira) e, no ano seguinte, ganhou esse mesmo prêmio na categoria romance (Quiçá - comprei esse livro, mas ainda não li). Ela também integrou a antologia dos 20 melhores jovens autores brasileiros da Granta em 2012 e foi colunista da revista Capricho, voltada para adolescentes. Hoje ela está com 23 ou 24 anos, está escrevendo o terceiro livro e, ao que tudo indica, ele sairá pela Cia. das Letras, pois ela ganhou uma coluna no blog da editora há algum tempo (leiam aqui) e, no último post, ela fala sobre o que sabe sobre o próximo livro dela. O tema dá vontade de ler.


Gostei mais Contos de mentira do que de Luzes de emergência... talvez pela diversidade de personagens e histórias e pela escrita soar mais madura. Ele é composto por 17 contos em que, em maior ou menor grau, a mentira aparece. A Luisa conta (não sei se na entrevista nos vídeos que colocarei no fim desse post ou em outra entrevista escrita) que teve a ideia para este livro quando leu em alguma matéria que todo mundo conta mentiras bobas e até desnecessárias (que compramos algo na liquidação, que fumamos só X cigarros, que bebemos só X cervejas...).

Um dos meus contos preferidos é "O vinco", sobre um descendente de japoneses, estudante de Engenharia da USP, que faz origamis (dobraduras) e presenteia as pessoas com eles - só que, antes de fazer os origamis, ele escreve frases, porque, supostamente ninguém vai desmanchar o presente e ler o que ele escreveu, mas um dia isso acontece. O outro preferido é "Parque de diversões", em que um garoto está a fim de uma menina, os dois passeiam por um parque de diversões e andam na roda gigante enquanto trocam algumas palavras, embora, aparentemente ela não esteja se divertindo muito. Tem um conto que achei bem autobiográfico: "ESPM", em que uma garota de 19 anos que está indo prestar Vestibular pega um ônibus, pede para o cobrador avisá-la quando chegasse a um determinado ponto, mas ele esquece; enquanto isso, vamos acompanhando os pensamentos confusos da garota.

Recomendo a leitura de Contos de mentira e, se gostarem, leiam também Luzes de emergência se acenderão automaticamente. Estou curiosa para ler Quiçá.

Abaixo estão dois vídeos com uma entrevista que ela deu em 2013 e achei interessante:





sexta-feira, 19 de junho de 2015

Cinemateca e Mostra de Cinema Sueco


Ontem o Fábio, um cara bem legal que conheci pela internet no fim do ano passado, me chamou para ver um documentário sobre o Ingmar Bergman na Cinemateca e eu topei. Acabamos nos aproximando porque ele também é meio fanático por cinema, em especial, pelos filmes do Ingmar Bergman - tanto que foi estudar sueco e quer visitar a Suécia um dia. E eu gostei dos poucos filmes do Bergman que vi até agora, me interesso pela cultura sueca e quero visitar a Suécia porque tenho um amigo descendente de suecos lá em São José.

Nunca tinha ido à Cinemateca e adorei o lugar. Até 1927, lá funcionava o Matadouro Municipal (vi uma placa na frente do prédio indicando isso e achei curioso) e depois serviu para várias outras finalidades, antes de ser reformada e abrigar a Cinemateca, a partir de 1992. Leiam mais sobre isso aqui.

Foto do Matadouro Municipal no início do século XX (foto tirada daqui)

Quero voltar à Cinemateca para tirar fotos de dia. As fotos que tirei ontem com a câmera do celular estão péssimas, eu sei... 


Na placa em branco havia a indicação "Matadouro Municipal"



À esquerda, apresentador da Mostra e, de azul, o Conselheiro Mikael Ståhl, da Embaixada da Suécia

Na foto acima dá para ver que a sala tinha esses "janelões" que davam para ver o jardim externo; antes de o filme começar, desceram uma cortina preta para a luz de fora não nos incomodar.

Na saída, passei por um telão a céu aberto. Deve ser incrível ver sessões a céu aberto ali! 

Encontrei fotos muito bonitas da Cinemateca (tiradas de dia):

Foto tirada daqui

Foto tirada daqui


Foto tirada daqui (nesse link há várias outras fotos bacanas do local!)

A mostra de filmes suecos começou ontem e vai até 28 de junho. Ontem vimos "Trespassing Bergman", um documentário em que vários diretores famosos (Michael Haneke, Woody Allen, Martin Scorcese, Lars von Trier, Takeshi Kitano, Francis Ford Coppola, entre outros) falam sobre Bergman, sobre os filmes berguianos que viram e a influência que ele teve e tem em suas obras. Alguns dos diretores foram visitar a casa onde Bergman morou em seus últimos quarenta anos de vida - na ilha Fårö, Suécia -, e puderam ver os cômodos e fuçar nas coisas que pertenciam ao grande diretor sueco, que, para alguns, parece ser uma divindade.

Fårö (Foto daqui)

Além disso, o documentário mostra trechos de vários filmes do Bergman, o que me deu vontade de rever alguns e ver outros (comprei os DVDs de "Morangos silvestres" e "Fanny e Alexander" há algum tempo, mas ainda não vi).

Na casa do Bergman havia uma sala com várias fitas VHS, além de duas poltronas confortáveis - onde, dizem, ele assistia a três filmes por dia - e também uma biblioteca com centenas de livros. Nesses dois cômodos havia várias estantes que ocupavam paredes inteiras; quando vi isso, mentalizei que quando eu tiver minha casa (não alugada), vou querer um quarto com estantes como aquelas para os meus livros e DVDs.

Biblioteca do Bergman (foto daqui


Videoteca do Bergman (foto daqui)

Para terminar, nas últimas cenas, aparecem essas duas fotos. A foto do Bergman abraçando o Ang Lee é muito emocionante! No documentário, o Ang Lee conta que quando viu um dos filmes do Bergman (se não me engano, "A fonte da donzela"), aos 14 anos, ele teve vontade de começar a fazer filmes; antes vivia uma vida meio regrada pela mãe, católica fervorosa, que o levava à igreja aos domingos e havia uma certa expectativa de que ele terminasse o colégio, fosse para a faculdade e fosse uma pessoa digna [e meio que "padrão", como qualquer outro chinês].


Fotos tirada daqui

Nunca duvidei do poder da arte. De como certos livros e filmes podem mudar a vida das pessoas. Tenho a impressão de que eles só catalisam algo que já está em nós. E se encontramos os livros e os filmes certos nos momentos certos, isso pode fazer toda a diferença na nossa vida.

Vale a pena ver o trailer e também o documentário!



O quê? Mostra de Cinema Sueco Comteporâneo
Quando? De 18/06 a 28/06/2015
Onde? Cinemateca Brasileira - Largo Senador Raul Cardoso, 207 - Vila Clementino - São Paulo-SP - 04021-070 - Telefone: (11) 3512-6111 (próximo à estação de metrô Vila Mariana; dá uns 15 minutos de caminhada; na ida peguei um táxi perto da estação de metrô e a corrida ficou em R$ 10)
Quanto? Grátis, com retirada de senha a partir de 1h antes de cada sessão
Site oficial: clique aqui

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Estação Paraíso, inferno particular


No início de maio, quando voltei da viagem a Portugal e Itália, logo retornei ao trabalho. Cheguei num domingo e na segunda seguinte já fui trabalhar, embora me sentisse cansada e desacostumada com o horário local (a diferença de fuso horário entre Brasil e Itália é de cinco horas). Às vezes eu me sentia num universo paralelo mais que o normal. E foi nessa semana que aconteceu.

Meia hora antes, eu havia combinado de jantar com a Yuri na Liberdade e estava na estação de metrô Paraíso. Eu estava aguardando o trem em uma das extremidades da plataforma, que costuma ter os vagões mais vazios, eram umas 19h, a estação estava lotada e havia várias pessoas na minha frente. Quando o trem se aproximou - pelo barulho, vinha em alta velocidade -, as pessoas à minha frente gritaram e foram dando passos para trás. Na minha confusão mental, imaginei que o trem pudesse estar descarrilando e vindo na direção da plataforma (isso deve ser meio impossível de acontecer na realidade). Não era isso. Uma mulher havia se jogado no trilho. Ou, como anunciaram alguns minutos depois: "Devido a usuário na via, os trens estão circulando com menor velocidade e maior tempo de parada". Quando um dos trens para por qualquer motivo, isso afeta todo o sistema do metrô, porque os trens circulam como num carrossel.

Sempre ouvi rumores sobre tentativas de suicídio nas estações de metrô, mas nunca tinha presenciado nada do tipo. Apenas via o reflexo e o transtorno disso em horários de pico e ficava resmungando internamente, me perguntando se as pessoas não poderiam se matar de outra forma, sem atrapalhar a vida dos outros. Porque certos lugares meio que embrutecem a gente.

Então o trem parou. Metade dele ficou rente à plataforma e a outra metade, dentro do túnel. Fui me afastando até encostar na parede oposta ao lugar onde o trem para. Estava tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer, vários pensamentos confusos, enquanto testemunhava o pavor das outras pessoas que estavam próximas à mulher pouco antes de ela pular. O pessoal do resgate foi acionado, a plataforma foi ficando cada vez mais cheia, já que o trem parou de circular e as pessoas continuavam chegando. Alguns começaram a fotografar e filmar - não entendo o prazer (?) que sentem em ver e ainda por cima gravarem essas coisas. As pessoas dentro do trem lotado precisariam aguardar até a mulher ser tirada debaixo do trem, uns 25 minutos.

Um cara que estava perto da suicida tentou puxar papo comigo, comentou algo do tipo: "Que horror, não?", mas não consegui responder nada, então ele se juntou a um outro grupo próximo. Ouvi uma garota desse grupo falar, bastante emocionada, que ela "sentia" que a outra ia pular, porque ela estava "estranha", parava e olhava para o nada; estava de jeans, camisa rosa, não tinha nada nas mãos, estava sem bolsa e aparentava ter uns 45 anos; comentou também que tinha visto a mulher se mover para um dos vãos do trilho depois de pular e talvez estivesse viva. Ouvi também comentários como: "Que Deus ajude a família dela".

Naquele momento achei São Paulo meio doentia. Sempre fui fã da cidade, mas aquilo ali não era normal. Fiquei pensando se alguma cidade pode chegar a enlouquecer alguém. Se alguém pode enlouquecer em uma cidade caótica como aqui. Me angustiei ao pensar na possibilidade de eu chegar a esse ponto. Não, claro que não chegaria, afastei essa ideia. 

Esse episódio, naquele momento, foi um "acorda para a vida!", um grito de desespero. Para mim foi como se a mulher simbolizasse a parte mais desesperada de mim (talvez de todos nós) e quisesse me alertar para o fato de eu estar viva. Essa foi a escolha dela, mas temos outras escolhas. Se continuarmos vivendo, sempre teremos outras escolhas.

No fim, depois de uns 25 minutos, o pessoal do resgate, com seus casacos amarelos fluorescentes e sujos conseguiram tirar a mulher em uma maca. Ela estava coberta e não dava para ver seu estado, mas ouvi uma senhora comentar que ela estava viva.

O trem, então, se movimentou, as portas se abriram, alguns saíram, outros entraram. E a vida pôde seguir mais ou menos igual à rotina de sempre.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Algumas notas sobre "Azumanga Daioh"


Ontem li o quarto e último volume do mangá Azumanga Daioh.

Eu estava com uma certa dificuldade de encontrar esse volume para comprar nas livrarias e acabei achando-o em uma banca de jornal perto do trabalho. Como em geral não leio mangás, não tinha ideia de que eles normalmente são vendidos em bancas (e encontrados com menos frequência em livrarias).

Comecei a ver os episódios do anime Azumanga Daioh, que foram ao ar no Japão em 2002, em abril desse ano (os capítulos legendados em português pode ser visto on-line aqui) e acabei gostando. Quando encontrei o volume 1 do mangá na Livraria Cultura, comprei. Depois encomendei os volumes 2 e 3 lá mesmo. Li rápido e também vi todos os episódios do anime. E estava procurando o último volume.

Azumanga é a mistura do sobrenome do autor (Azuma) com "mangá" e Daioh deriva do nome da revista Dengeki Daioh, onde o mangá foi publicado originalmente em 1999. Só pelo nome do mangá, não daria para deduzir o conteúdo...

Bom, esse mangá tem uma estrutura diferente dos outros poucos que já li, porque são tiras cômicas com quatro quadros e não uma história contínua. Lembra um pouco as tiras de três quadros no fim dos gibis da Turma da Mônica.

Osaka refletindo sobre coisas nonsense com a Sakaki

Me interessei por esse mangá porque ele tem personagens peculiares e é engraçado, além de mostrar um pouco como é o cotidiano de alunos do colegial/ Ensino Médio no Japão. Me lembrou um pouco as séries Confissões de Adolescente e Anos Incríveis - as únicas séries que acompanhei com entusiasmo, porque me identificava com várias situações que as personagens viviam. Não havia super-heróis nem pessoas com superpoderes, eram só pessoas vivendo cotidianos mais ou menos banais, mas retratados de um jeito interessante.

No Azumanga Daioh, acompanhamos o cotidiano de um grupo de seis garotas durante os três anos do colegial e de duas professoras, uma de inglês e outra de Educação Física.

Minha personagem preferida e com quem me identifico, é a Osaka (na verdade, o nome dela é Ayumu Kasuga, mas é apelidada dessa forma por ter vindo de Osaka - no início ela não gosta, mas depois se acostuma/ se conforma).



A Osaka é a "lerda" da turma. Vai mal nas provas porque fica dormindo nas aulas ou pensando em várias outras coisas em vez de se concentrar no que os professores estão explicando, mas tem um tipo de raciocínio diferente das outras pessoas, por isso poucos a entendem. Ela parece estar sempre em um mundo paralelo. Eu diria que a Osaka tem um pouco de déficit de atenção. Além disso, ela é ruim em esportes (porque é lenta) e fica feliz com coisas simples, como conseguir partir um hashi ao meio em partes iguais, ficar no kotatsu (mesa com aquecimento) da Chiyo-chan quando vai visitá-la ou quando há tempestade (ela gosta de sair para brincar com tufões).



Outras personagens são:

Chiyo-chan: uma menina prodígio de 10 anos que pulou para o 1º colegial. Ela sempre está de maria-chiquinha e todo mundo a acha muito fofa. Ela tem um cachorro enorme chamado Tadakichi-san, no qual às vezes ela monta (!). Ela odeia quando a chamam de criança (apesar de ser uma) e quer crescer e ficar alta logo. É a única que não estuda para o "vestibular" no fim do 3º ano, pois quer fazer faculdade nos Estados Unidos. Ela é rica, mora em uma mansão, mas não é esnobe - pelo contrário, ela acorda cedo, prepara o próprio café da manhã e o lanche para levar para o colégio - ela gosta de cozinhar e cozinha bem - e acorda os pais (que nunca aparecem) antes de sair para a aula. Outra característica marcante da Chiyo é que ela é muito doce - sempre tenta amenizar as tensões entre as meninas ou animar todo mundo quando as coisas não estão indo bem; é uma menina muito positiva - ou seja, ela tem um QI alto e também uma inteligência emocional apurada. As meninas gostam de ir à casa dela para estudar ou apenas para se divertir.





Sakaki-san: é a mais alta da turma (tem 1,74 m); é boa aluna e boa também nos esportes, embora não tenha interesse por eles. A Chiyo-chan a admira e gostaria de ser alta como ela; na contramão, Sakaki gosta de animais e coisas bonitinhas e gostaria de ser mais como a Chiyo. A Sakaki tem vontade de fazer carinho em todos os gatos que encontra, especialmente em um cinza, que ela sempre encontra a caminho do colégio ou quando volta para casa, mas todos a mordem e arranham. Ela acaba prestando vestibular para Veterinária por gostar de animais e planeja morar sozinha para, assim, poder ter um gato (por causa da alergia da mãe, ela não podia ter um na casa dos pais). Talvez por ser mais alta que a média, é tímida e não gosta de chamar atenção para si. 



Tomo: é a hiperativa da turma. Muitas vezes não consegue ficar quieta e sempre perturba todo mundo, até a Chiyo-chan, de quem todos gostam, e principalmente da Yomi, com quem estuda desde o ginásio. Ela gosta de competir e tem uma imagem irrealista de si mesma - se acha mais inteligente e esperta que os outros, no entanto, é desleixada (pede para copiar as respostas das tarefas de casa dos colegas e não estuda) e irritante; não sei até que ponto as outras personagens realmente gostam dela.



Yomi: para mim é a personagem mais "apagada". Aparentemente, é a mais adulta e sensata da turma; é também bastante estudiosa. Suporta as brincadeiras e comentários de mal gosto da Tomo. Se acha gorda (mesmo sendo bem magra) e vive fazendo dietas que não dão certo, pois sempre acaba comendo as coisas de que gosta. Uma coisa que me chamou a atenção foi um episódio no anime em que a Tomo vai até a casa da Yomi à noite e podemos ver o quarto dela (Yomi), que é muito "clean" e impessoal, sem objetos que talvez pudessem identificar que o quarto é dela - diferente do quarto da Chiyo-chan e da Sakaki-san, por exemplo.



Kagura: entra na classe das outras cinco meninas no 2º ano. É muito boa em esportes e, assim como a Tomo, é competitiva. Quando entra na turma nova, tenta conversar com a Sakaki-san, por tê-la como rival nos esportes (embora a Sakaki não esteja preocupada em competir e nem em ser a melhor atleta do colégio). Não é boa aluna, mas se dedica muito aos esportes e faz parte do clube de natação do colégio.







Yukari: professora de inglês, responsável pela turma das meninas pelos três anos. É bastante íntima dos alunos, que a chamam pelo primeiro nome (o mais comum seria chamá-la pelo sobrenome, Tanizaki-san, por respeito). Seu humor varia muito; quando está feliz, trata os alunos bem, quando está mal-humorada, brava ou chateada, desconta nos alunos. Gosta de competir com a Kurosawa-sensei (que ela chama pelo apelido, Nyamo, como costumava fazer quando eram estudantes).




Kurosawa-sensei/ Nyamo: professora de Educação Física que vive sendo chamada de "burra" pela amiga (?) Yukari. É mais madura que a Yukari e aparentemente mais querida pelos alunos da sala pela qual é responsável. É uma motorista hábil, diferente da Yukari, que traumatiza a Chiyo-chan com sua direção irresponsável. As duas professoras viajam com as meninas para a casa de praia da Chiyo-chan nas férias.


Uma personagem que aparece menos, mas é engraçadinha, é a Kaori (Kaorin). Ela é apaixonada pela Sakaki e sempre fica sem graça na presença dela. Em algumas situações que consegue ficar perto da Sakaki, ela fica extremamente feliz (como quando participa da "corrida de três pernas", em que precisa amarrar uma das pernas na perna da Sakaki, quando as duas viajam no banco de trás no carro da Yukari, a caminho da casa de praia da Chiyo-chan, ou quando dançam juntas no colégio).




Outro personagem que às vezes aparece é um professor medonho chamado Kimura. Ele tem tara por colegiais e gosta de vê-las com pouca roupa (de maiô ou em traje esportivo). Vive de boca aberta. Pega bastante no pé da Kaorin, de quem parece gostar além da relação aluna-professor, apesar de ser casado com uma mulher muito bonita e boazinha e ter uma filha.



O anime e o mangá acabam quando as meninas terminam o colegial, se formam, e prestam vestibular.

Além de apresentar personagens peculiares e engraçadas, este mangá mostra vários detalhes da cultura japonesa: o uniforme de inverno e de verão são diferentes; a tradição de ir a um templo no Ano-Novo; como é a hora do intervalo (alguns levam "marmita", outros compram algo na cantina, que é lotada); os alunos precisam limpar a sala em que estudam; várias comidas; características de Okinawa (para onde o colégio faz excursão) etc.

É uma leitura bastante leve e divertida.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Estou de volta

Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo 
Um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço

Mais de meio ano sem postar. Mas quero voltar, sempre quis.

A verdade é que tenho levado 2015 em banho-maria. Tinha muitos planos para este ano no fim do ano passado (voltar pras aulas de tcheco, pras aulas de japonês, começar um curso de design gráfico, esboçar um romance, manter as caminhadas para perder vários quilos extras), mas hoje minha única ambição é terminar o MBA que comecei em 2012. Só. 

Entre meu último post e este aconteceram muitas coisas, aprendi muitas coisas, ri, chorei, me angustiei, vivi. E hoje me sinto mais velha. Engraçado que nunca tinha me sentido assim, mas agora me sinto menos ingênua, mais desconfiada e também mais cínica - porque, imagino, é isso que algumas experiências nos trazem. 

No fim do ano passado viajei para o sul de carro, vi uma exposição linda do Sebastião Salgado no "museu do olho" em Curitiba, acampei pela primeira vez na vida em Laguna, em SC, estive novamente em Porto Alegre, que eu adoro, comi comidas deliciosas no interior do RS; fui para Ubatuba no Carnaval - e foi tão bom rever aquele mar!; depois, em abril, fui para Portugal e para a Itália (gostei mais de Lisboa do que imaginava, e menos de Roma do que imaginava também), descobri que existe e fui conferir uma "estrada do vinho", em São Roque, interior paulista (fica a mais ou menos duas horas de São Paulo). Depois vou contando aos poucos sobre tudo isso e mostrando algumas fotos. Durante essas viagens consolidei meu gosto por tirar fotos de estranhos em lugares públicos - que para mim é mais interessante e faz mais sentido que tirar selfies, embora eu tenha tirado umas poucas selfies também, talvez para comprovar que realmente estive na Europa - coisa mais cafona, eu sei.

Trabalhei bastante (haja dinheiro para a viajar para a Europa com a cotação do Euro do jeito que está...), continuei vendo muitos filmes, lendo livros. Aliás, depois quero comentar sobre vários deles aqui. Escrevi no diário em papel, escrevi em um blog com pseudônimo que criei para falar de coisas que não posso escrever publicamente assinando como eu mesma. Descobri que escrever sob pseudônimo pode ser libertador. Um conto que inscrevi num concurso literário em 2012 (!) foi selecionado para compor a antologia desse concurso e isso me fez querer tentar entrar na oficina literária do Assis Brasil em Porto Alegre (vontade antiga, mas até então distante... refleti e concluí que, se eu me planejar, consigo passar um ano meio sabático me dedicando a isso). Encontrei meus amigos e a minha família menos do que eu gostaria. Minha prima mais próxima se casou e eu não fui ao casamento porque estava traduzindo um livro. Meu irmão se casou e eu não fui ao casamento porque estava em Lisboa. Ainda tenho vários e-mails não respondidos... talvez eu devesse surpreender os amigos e enviar mensagens de voz ou uma carta manuscrita... :) É que para alguns eu quero e preciso contar tantas coisas e ficar na frente do computador em horário de lazer tem se tornado cada vez mais árduo... queria que vários desses amigos tivessem ido comigo principalmente para Lisboa. Certeza que vários amigos iam gostar de Lisboa. 

Quando eu era adolescente, achava que quando eu tivesse mais ou menos a idade que tenho agora (34 anos), teria respostas para uma porção de coisas. Mas não. E isso não me aterroriza mais. Já não me importo se eu nunca encontrar essas respostas. O jeito é ir fazendo escolhas, as melhores que eu conseguir no momento, me perdoar se no futuro essas escolhas se mostrarem ruins ou péssimas, e ir vivendo. Tenho algumas certezas hoje que talvez se diluam daqui um tempo, mas, por enquanto, preciso delas para seguir em frente.

Bora viver mais um pouco.