Pages

sábado, 26 de julho de 2014

Dias Perfeitos - Raphael Montes


Título: Dias perfeitos
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Nº de páginas: 274
Ano de publicação: 2014

***

Já ouviu falar de Raphael Montes? Se não, provavelmente vai ouvir falar e muito. 


Raphael é um jovem advogado e escritor carioca de 23 anos que, após chegar a ser finalista em importantes prêmios literários do país (São Paulo e Machado de Assis), teve o primeiro romance, Suicidas, publicado pela Benvirá (selo da editora Saraiva) e, depois, outras editoras disputaram os direitos de publicação de Dias perfeitos.

Tive interesse em ler esse segundo livro depois de quase morrer de tédio com a leitura dos livros AvóDezanove e o segredo do soviético (do angolano ondjaki) e Garota encontra garoto (da escocesa Ali Smith). Costumo ler vários livros ao mesmo tempo, mas estava me concentrando nesses dois nas viagens de ida e volta do trabalho e, bom, me entediando muito. Tem uns livros que talvez tenham tanta "genialidade" e "inovação" que não consigo alcançar.

Enfim, depois de ler várias resenhas elogiosas sobre Dias perfeitos em jornais, blogs e revistinhas de livrarias (aquelas que promovem livros) - exceto uma resenha negativa na Folha, mas senti um certo recalque no resenhista... -, resolvi comprar e ler, pois estava bastante curiosa para saber o que um autor de vinte e poucos anos, finalista de prêmios literários, que conseguiu ser publicado pela Companhia das Letras, vendeu os direitos de adaptação para o cinema e que está aparecendo direto na mídia havia produzido de tão bom.

Terminei de ler o livro hoje de manhã e, apesar de eu não considerar o livro uma "grande obra da literatura brasileira", é uma ótima "literatura de entretenimento". Leitores que gostam do gênero provavelmente ficarão instigados a querer ler mais e mais para saber o que acontece nos próximos capítulos e no final (adoro um bom filme de suspense - não tive muita sorte com livros do gênero, por isso não leio/lia). Então, o livro cumpre o objetivo: entreter.

O enredo gira em torno de Téo (Teodoro), um estudante de medicina da UFRJ, e Clarice, que estuda história da arte na UERJ e está escrevendo um roteiro para cinema. São jovens aparentemente comuns da classe média carioca que se conhecem em um churrasco familiar. Depois desse encontro, Téo fica apaixonado por Clarice e, como ela não parece interessada em manter nenhum contato com ele, ele decide que o mais certo é sequestrá-la para provar o quanto a ama e como o relacionamento dos dois pode ser maravilhoso. Apesar de o clima quase sempre ser tenso, também tem toques cômicos, como, por exemplo, logo na primeira página:

Gertrudes era a única pessoa de quem Téo gostava. Desde o primeiro momento, ele soube que os encontros com ela seriam inesquecíveis. Os outros alunos não ficavam à vontade. Mal entravam na sala, as meninas tapavam o nariz; os rapazes buscavam manter alguma postura, mas o olhar revelava incômodo [...] 
Serenamente à sua espera, estava ela. Gertrudes.
Sob a luz pálida, o cadáver ganhava um tom  amarronzado muito peculiar, feito couro. [...]

Outra coisa engraçada foi o autor citar o Sobotta em duas passagens. Johannes SOBOTTA é o autor de um Atlas de Anatomia bastante indicado por professores da área de saúde por ser um dos melhores. Eu o usava quando estava em odonto.

Acabou cochilando na poltrona e sonhou que conversava com Sobotta sobre o que havia feito com Clarice. Estavam num lugar montanhoso, o olhar de Sobotta era ríspido e Téo ficou nervoso, mas quando acordou achou tudo muito engraçado.

 
 [A PARTIR DAQUI CONTÉM SPOILERS -  EU AVISEI! :)]

A história também contém algumas inverossimilhanças, assim como quase todos os filmes de suspense. Aquelas cenas em que perguntamos/exclamamos para quem está assistindo conosco: "Você acha que a Fulana ia mesmo abrir a porta para o Sicrano depois de ele quase estrangulado ela?", "Até parece que a Sicrana ia sair correndo no meio do escuro sem enxergar nada com o assassino atrás dela com uma lanterna!". Segue uma lista de passagens, a meu ver, pouco convincentes:

1. A facilidade com que Téo dopa Clarice e a coloca (e tira) de uma mala - tudo bem que ela é pequena e muito magra, mas algumas passagens sugerem que é superfácil colocar e tirar alguém VIVO de uma mala;

2. A facilidade de Téo conseguir pegar Thiolax (o nome do anestésico parece ser fictício) na geladeira do biotério da faculdade - como se esse tipo de coisa não fosse supercontrolada por funcionários, exatamente por conta do perigo de psicopatas o quererem para fins mais macabros que anestesiar ratinhos de pesquisa - e também o fato de o anestésico funcionar mesmo sem refrigeração em Ilha Grande e na estrada;

3. O fato de Téo levar livros de medicina para ler/estudar durante a viagem;

4. O fato de Téo levar vários medicamentos e alguns materiais cirúrgicos para a viagem (para sutura, por exemplo), sendo que ele, aparentemente, acabou de terminar o primeiro ano (demonstrado pela aula de anatomia - essa é uma das matérias de base nos cursos de saúde e geralmente são ministradas no primeiro ano); em um dado momento ele medica e sutura ferimentos de Clarice, além de fazer um procedimento cirúrgico com uma faca.

São detalhes que não chegam a atrapalhar a trama, mas, quando li, me causou estranheza.

Estou curiosa para ver como vai ficar a adaptação para cinema.

Observação aleatória: a capa ficaria bem mais bonita sem o "splash" rosa com elogios do Scott Turow (quem?). Mas é isso. Entre a arte e o marketing, o marketing prevalece.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

De Cuba com carinho


Título: De Cuba com carinho
Autora: Yoani Sánchez
Tradutores: Benivaldo Araújo e Carlos Donato Petrolini Jr.
Nº de páginas: 208
Editora: Contexto
Ano de publicação: 2013 (2ª edição)

***

Mês passado li uma matéria (na verdade, o formato lembra mais uma entrevista) no jornal O Globo sobre o novo portal de notícias (www.14ymedio.com) lançado pela blogueira cubana Yoani Sánchez e deu vontade de comentar sobre o livro dela, que li há alguns meses.


O livro é um conjunto de posts do antigo blog dela, o "Generación Y". Me incomodou um pouco o fato de não haver datas nos escritos, mas, aparentemente, são posts escritos em 2009. O que mudou em Cuba de lá para cá? Não sei dizer, só sei que, desde janeiro de 2013, segundo a entrevista recente com Yoani, o governo cubano aprovou uma nova política que permite que os cubanos viagem ao exterior; até então, isso era "proibido" - poucos, muito poucos (e com dinheiro) conseguiam passaportes e autorização para sair do país. Parece que quem saía (ou sai) ilegalmente não pode retornar nunca mais.

Os textos de Yoani lembram um pouco as redações dissertativas que eu precisava escrever no colégio, como treino para o Vestibular. A maioria dos posts são compostos por três parágrafos com introdução, desenvolvimento e conclusão. Apesar de parecer muito pouco, esse formato funciona bem para um blog - são textos curtos, informativos ou reflexivos, às vezes com toques de humor, e que nos fazem pensar. Quisera eu conseguir formatar meus textos dessa forma, pois, em geral, acho que escrevo demais.

Ao ler o livro de Yoani, também consegui entender melhor o contexto do filme "Habana Blues", dirigido pelo espanhol Benito Zambrano, em que dois músicos estão em busca do sucesso e, apesar de todas as dificuldades, conseguem uma proposta de contrato internacional - seria a oportunidade que muitos cubanos querem: sair de Cuba. Os dois músicos também tinham uma banda e a maioria dos integrantes quer assinar o contrato e sair da ilha, mas nem todos concordam com isso, o que acaba gerando um conflito. A esposa de um dos músicos se cansa da vida desregrada do marido e pensa em emigrar ilegalmente para os Estados Unidos com os dois filhos pequenos. Quando assisti a esse filme, em algum dia desse ano, não conseguia ter a dimensão do que acontece em Cuba, e a Yoani me fez entender um pouco melhor.

A ilha é controlada por um governo "comunista" que não dá liberdade aos seus cidadãos. O que será que um governante tem na cabeça para fazer quase todos de seu país sofrerem e passarem todo tipo de necessidades, não? Lembrei de uma máxima popular que diz algo do tipo: "Se quiser conhecer uma pessoa de verdade, dê poder a ela". Se algo não dá certo, por que não voltar atrás, assumir os erros e pensar num futuro melhor e mais digno para a maioria? Por que insistir em algo que claramente já não dá certo?

O livro da Yoani me passou a impressão de que quase todos os cubanos estão desesperados para emigrar, pois a situação em Cuba é insustentável. Os salários são "simbólicos" e é preciso trabalhar ilegalmente para conseguir dinheiro para pagar contas e colocar comida na mesa. Em um dos posts, ela até escreve que, às vezes, o fato de o emprego oferecer merenda ou não é fator decisivo para alguém aceitar o trabalho ou não (o lanche distribuído diariamente para o trabalhador pode ser revendido, gerando, assim, uma renda extra). Assim como esse post, existem vários outros que lembram contos fantásticos do Cortázar.

"A vantagem de uma merenda

Quero fazer uma ode em louvor à merenda diária que recebem os guardas e vigilantes de certos centros estatais. O pãozinho com presunto e queijo, junto com o refrigerante que o acompanha, são o motivo pelo qual milhares de cubanos continuam nos seus empregos. Sem os ganhos provenientes da venda desse lanche, muitos teriam abandonado definitivamente seus postos de trabalho. Inclusive, uma das primeiras perguntas quando se está procurando emprego não é sobre o valor do salário - igualmente simbólico e insuficiente em qualquer parte -, e sim sobre a existência ou não de um lanche. Vendê-lo por vinte pesos cubanos permite ao trabalhador duplicar seus proventos, ainda que isso implique abrir mão de tão necessário alimento.
Em todo lugar, exibidos discretamente porém fáceis de encontrar por quem procura, estão a garrafa de Tropi Cola e o sanduichinho embrulhado em celofane. Podem ser vistos na entrada das centrais telefônicas, atrás das portas de vidro dos bancos, nas guaritas que protegem a entrada dos ministérios, nos pontos de venda de bilhetes de ônibus, no interior dos museus e até nos cibercafés que oferecem conexão lenta a preços elevados. Em todos os lugares que precisam ser vigiados, escoltados, protegidos, há alguém que se vê obrigado a vender o lanche para continuar em guarda. Umas fatias de presunto e outras de queijo podem fazer a diferença entre ir todo dia ao trabalho ou ficar em casa."
(De Cuba com carinho, p. 67-68)

Para ler o post original, em espanhol, clique aqui.


Recomendo a leitura do livro!


domingo, 13 de julho de 2014

Sessão de terapia, o livro + eu no divã sem saber


Título: Sessão de terapia
Autora: Jaqueline Vargas
Nº de páginas: 264
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2013

***

Sempre tive curiosidade de saber o que se passa dentro de um consultório de psicologia, terapia ou de psiquiatria. O que leva cada um dos pacientes até ali? Será que o psicólogo, terapeuta ou psiquiatra se entedia com algumas pessoas e suas histórias banais? Se bem que o profissional sempre tem a opção de recusar o paciente...

Esse livro foi uma das minhas melhores leituras até o momento (já li mais de 50 títulos, incluindo as HQs, esse ano). Vi o primeiro episódio da série homônima no YouTube - uma versão com qualidade bem baixa, por sinal - e gostei, mas não encontrei o restante dos episódios lá. Antes de prosseguir e alugar a primeira temporada, resolvi comprar o livro e ver se valeria a pena gastar tanto tempo com a série, porque, em geral, não gosto de séries. E cheguei à conclusão de que vale muito a pena, sim.

Sessão de terapia, a série, é uma versão brasileira da série israelense BeTipul ("tratamento"), dirigida pelo Selton Mello e roteirizado pela Jaqueline Vargas (que também é autora do livro). A série original foi concebida por Hagai Levi, a quem Jaqueline dedica o livro. Li essa entrevista com Hagai Levi no site da revista Cult e, pelos comentários, vi que profissionais da área de psicologia não gostaram nada da série e apontaram uma série de "erros". Apesar disso, como ficção, a obra é válida. O que me questionei mais durante a leitura foi que, em poucas sessões, os pacientes já levantavam questões sobre si mesmos, e imagino que, na vida real, isso levaria, quem sabe,  anos.

O site da série, exibida pela GNT, é este. Li que liberaram os vídeos das primeiras duas temporadas (a terceira deve sair em breve) gratuitamente por lá, mas não consegui ver nada, porque, ao clicar em "play", uma janelinha se abre, pedindo para selecionar uma operadora de TV, login e senha. Para quem quiser tentar, o link direto é este.

No livro, durante nove semanas, acompanhamos as sessões de alguns pacientes atendidos por Theo Cecatto, psicólogo e terapeuta de 56 anos, e também sua vida pessoal em relação à carreira, ao casamento com Clarice e ao relacionamento com os três filhos.

A paciente de segunda-feira é Júlia, uma médica residente em anestesiologia que namora um ex-paciente de Theo e que se diz apaixonada pelo terapeuta, o que o desestabiliza, pois ele parece sentir atração por ela.

O paciente de terça-feira é Breno, um atirador de elite que havia cometido um erro em uma missão e, por conta disso, um garoto morrera. Na segunda ou terceira sessão, ele começa a levantar a possibilidade de ser gay.

A paciente de quarta-feira é Nina, uma ginasta adolescente que parece ser negligenciada pelo pai fotógrafo e que é abusada por seu treinador. Aparentemente, com os dois braços enfaixados, tentou se matar em um "acidente" de carro, o que ela nega.

Os pacientes de quinta-feira são João e Ana, um casal que está em crise, principalmente porque, depois de anos tentando tratamento para engravidar, Ana não tem certeza de que quer ter o filho que está esperando, sendo que o marido é totalmente contra o aborto.

"Casamento é um assunto recorrente no consultório. Nesses anos eu vi muitos casais passarem pela minha sala. Uns realmente querem salvar a relação e me procuram para que eu os ajude a ver o que não estão vendo ou que se habituaram a não ver. Outros até usam a desculpa da reconciliação para embarcar na terapia, mas na verdade querem que eu os ajude a terminar o que precisam de um intermediário para dizer o óbvio: acabou."

Sexta, Theo volta a frequentar a terapia com sua ex-mentora, Dora. Por conta de um desentendimento no passado, ele não a via há anos, no entanto, voltou a recorrer a ela, pois estava passando por um momento caótico. Posteriormente as sessões contam com a participação de Clarice e se tornam terapia de casal.

Clique na imagem para ampliar

Li o livro em três ou quatro dias corridos, indo e voltando do trabalho. Lembro que, quando terminei, alguns dias antes do início da Copa do Mundo, o trânsito estava caótico e acabei chegando no trabalho lá pelas 9h (entro às 8h), o que me permitiu ler o livro até o fim. Ainda bem, porque ia passar o dia ansiosa para poder voltar à leitura. É, esse livro me instigou nesse nível. E, quando terminei a leitura, me senti diferente, mais ampla, ou melhor, com a capacidade de ver as coisas de forma mais ampla (assim como me senti quando terminei de ler A paixão segundo G.H., com uns 15 anos). Talvez o que eu e todo mundo que gosta de ler e de ver filmes procura seja essa sensação meio de êxtase diante de uma obra. Em geral, as minhas sensações ao ler livros são: "esse livro é bom" (mas não arrebatador), "é bem escrito, mas não empolga muito", "estou odiando, mas vou avançar para ver se melhora".

No tempo em que durou a leitura, pude me identificar com alguns comportamentos dos pacientes e do terapeuta e notar que pessoas que eu conheço apresentam alguns desses comportamentos também. Por isso, penso que, se fosse possível, todo mundo deveria fazer terapia. Para nos conhecermos melhor, sabermos quem realmente somos ou queremos ser e quais são nossas reais motivações, com o objetivo de vivermos uma vida menos caótica e mais feliz. 

Apesar disso, não sei o que eu levaria para a terapia se fosse fazer. Talvez questões profissionais (uma certa insatisfação que sinto de vez em quando, apesar de, em geral, me sentir motivada com o que faço, e da vontade de jogar tudo para o alto e "ir viver", viajar e trabalhar em diferentes países, acumular experiências que realmente valham a pena) e algumas emocionais (me submeter a determinadas situações que eu não quero ou para as quais não consigo dizer "não", ou seja lá o que penso, para não magoar os outros).

Essa leitura também me fez lembrar de um amigo muito querido, o A., com quem já não tenho contato há anos. Nos conhecemos virtualmente, em um chat do Terra, se não me engano, e a relação nunca passou disso (quero dizer, nunca nos vimos pessoalmente), mas o contato com ele foi muito importante para mim. Ele tinha uns 35-37 anos e estava em crise no casamento (não sabia se terminava o relacionamento que já durava quase dez anos, de certa forma, ele achava que a esposa dava mais importância à carreira do que ao relacionamento deles - talvez houvesse uma competição entre eles, pois eram da mesma área, não sei -, e ele talvez já estivesse apaixonado por outra mulher, só não queria assumir a responsabilidade de dizer "não quero mais estar casado com você" para a esposa), e eu, meio perdida porque tinha me formado havia alguns anos, tinha voltado para a casa dos meus pais e não sabia bem que rumo dar à minha vida - dava algumas aulas de inglês e era tradutora técnica free-lance e, depois, embarquei em odontologia, sendo que, analisando em retrospecto, nada disso me satisfazia completamente. Lembro que A. queria ser psicanalista ou seguir pela área de psiquiatria, mas, meio que por conta das expectativas da família e dele próprio, foi por um outro caminho, talvez mais "prestigioso", diferente de "cuidar de um monte de doidos". Não sei se fiz alguma diferença na vida dele, afinal, eu tinha vinte e poucos anos, e não tinha muitas experiências de vida (não que agora eu tenha tantas assim...), mas a marca que ele deixou em mim foi indelével. Foi como um vislumbre da vida adulta que eu estava prestes a encarar. Devo ter passado completamente para a vida adulta naqueles anos em que convivi virtualmente com ele (sendo que o processo começou quando fiz 18 anos e fui fazer faculdade em uma cidade diferente de onde meus pais moravam, o que me ajudou a ganhar mais autonomia), com todas aquelas conversas e, no final, pouco antes de nos afastarmos, creio que nós dois conseguimos nos dar conta de que precisávamos mudar de vida, que só nós poderíamos fazer isso, e ninguém mais. 

No fim de 2008, decidi deixar a faculdade de odontologia, pedir demissão do convênio odontológico e terminar um relacionamento tumultuado; no ano seguinte, eu iria arranjar um emprego em São Paulo, viria para cá e pronto - ia seguir minha vontade e minha intuição e tentar me tornar tradutora literária, apesar de a minha mãe ter tentado me assustar com uns papos do tipo: "Mas você vai para São Paulo sozinha? É perigoso, você pode ser sequestrada...". Ela tem medos e tenta me deixar em pânico também, o que me passa a ideia de que a visão de vida dela deve ser algo do tipo: é melhor viver se protegendo do que se arriscar e viver o que e como se quer; na minha visão de vida, viver se protegendo e evitando desafios pode nos manter vivos de alguma forma, mas acabamos morrendo de outra. Mais ou menos nessa época, ou talvez um pouco antes disso, A. me contou que havia pedido o divórcio (fico imaginando como deve ter sido doloroso para ambos, porque a esposa havia cogitado a possibilidade de os dois terem filhos meses antes), ia se mudar para um flat, comprou um barco (ou veleiro?), ia prosseguir com o relacionamento com uma outra mulher, que parecia ter mais afinidades com ele (ele comentou que, depois de dez anos de relacionamento, ele já era outra pessoa e a esposa dele também e que boa parte do encantamento de antes já havia se esvaído e que não sabia se valia a pena ficar alguém só por ser "mais cômodo" - o que achei triste demais) e que ia começar um curso de psicanálise - e dentro de quatro ou cinco anos (acho que era isso, o período era extenso), poderia atender pacientes. Talvez eu tenha sido a primeira paciente dele, mesmo que ele não tivesse formação. Todas aquelas conversas me ajudaram a fortalecer quem eu sou e a tentar ver o mundo, as pessoas, as relações entre pessoas e tudo mais de um jeito mais amplo. Aprendi também que a vida adulta pode não ser fácil, pode ser bastante dolorosa, mas também muito compensadora quando ficamos mais próximos de quem somos e do que realmente queremos. Por tudo isso, obrigada, A.! Às vezes me lembro de você e desejo que esteja feliz com suas escolhas e bem em todos os sentidos.

Uma última observação antes de eu fechar este post: apesar de a capa do livro parecer bastante "não atraente", recomendo a leitura. Não gosto de capas de livros que reproduzem capas de pôsteres de cinema e DVDs de filmes/séries; isso me passa a sensação de preguiça, de que o livro não é bom e precisa ser vinculado à versão de cinema/TV para ser vendido.

sábado, 12 de julho de 2014

Comidinhas japonesas da Kracie

No mês passado, eu e a Yuri fizemos dois pacotes de comidinhas japonesas de brinquedo fabricadas pela empresa Kracie.


Ela comprou (pediu para a Mari comprar) em uma loja que vende produtos japoneses chamada Marukai (rua Galvão Bueno, 34), perto da estação de metrô Liberdade. Cada kit custou R$ 15 e nos rendeu algumas horas de diversão.


As instruções vêm em japonês no verso, mas não é preciso entrar em pânico, porque elas também vêm traduzidas para o português em um papelzinho incluído em uma das extremidades da caixa:


Recipientes para a mistura e a faquinha vêm embrulhados nessa embalagem:


Esses pacotinhos que parecem tempero de Miojo abaixo têm pós que, ao serem misturados com água se transformam nas comidinhas...
 

Primeiro fizemos o kit de hambúrguer. E a bizarrice: o hambúrguer tem gosto de hambúguer, o ketchup tem gosto de ketchup e as batatas fritas também tem gosto de batata frita! Só a Coca era ruim, talvez se estivesse gelada seria mais tragável...


Depois de misturar essa massinha e amassá-la no fundo da forma, ela é levada ao micro-ondas por 30 segundos...


... e depois basta cortar em palitinhos.



Depois de misturar a massinha do pão de hambúrguer e do hambúrguer, é preciso levar ao micro-ondas por 30 segundos...




A consistência do pão é de pão de verdade!


Montando o hambúrguer (esse queijo tem gosto de queijo! :o)...


Ketchup com gosto de ketchup:



Vídeo da transformação do pó em Coca :o)



 Tcharam!


Para ver o procedimento completo de como brincar com esse kit hambúrguer, clique aqui (alguém/ canal Salada Brasileira filmou o procedimento completo e colocou no YouTube! \O/)


Depois a gente fez o kit de "osushiyasan" (sushi e sashimi).





Primeiro, fizemos o arroz (água + pó do saquinho azul):


Mistura, mistura, mistura...


A consistência fica parecida com a de gohan (arroz japonês) mesmo.

O negócio vermelho é, supostamente, o salmão, e o amarelo, o ovo frito.
 

Depois, pegamos a massinha preta (nori, a alga que envolve o sushi, de faz de conta) e amassamos nesse formato retangular mostrado na embalagem. A massinha deve ser dividida ao meio (porque será preciso fazer dois arranjos com ovas).




O mais legal foi fazer as "ovas". Foi preciso sugar o líquido vermelho com o conta-gotas e pingar no líquido azul... acontece uma "mágica" e as gotas se cristalizam em formato de bolinhas no momento em que entram em contato com o líquido azul. Veja o vídeo:




Para fazer os sushis, também há um formato certo indicado na embalagem:






Shoyu...


Para finalizar, é só pingar o shoyu com o conta-gotas:


O gosto de tudo nesse kit é de bala ou doce artificial de uva! =)

Para ver todo o procedimento, clique aqui (vídeo feito pela Lia Camargo).

Me Gusta Picolés Artesanais


No fim de semana passado, eu, a Yuri, a Mari e a May fomos para o Butantan Food Park, um parque com barracas e trailer de comida de rua, e lá, entre outras coisas, experimentei picolés artesanais "Me Gusta".


No Butantan Food Park, experimentei esse aí acima, de morango com leite condensado, e também um de coco (com lascas de coco fresco).


No último feriado (9 de julho), que caiu na quarta, eu e a Yuri, depois de tomarmos um lanche no Sujinho, fomos para a sorveteria ou "picoleteria" (?) Me Gusta (que fica na rua Augusta, 2052, em frente ao CineSESC), onde tomamos mais alguns - o de pistache é maravilhoso, vem com pistaches de verdade!

Os picolés de fruta custam R$ 6 e os "cremosos", R$ 7. Não é barato, mas, de vez em quando, vale muito a pena!



Seguem mais fotos (todas tiradas da fan page do Me Gusta) de dar água na boca. Quem quiser, também pode entrar no site do Me Gusta e baixar o cardápio.

Obs.: quando fomos, na quarta, não havia todos os sabores disponíveis. Acho que, dependendo do dia, há determinados sabores que esgotam e não são repostos.

Entrada


Iogurte com amora


Banana com Nutella


 Framboesa


Salada de frutas

Goiaba


Jabuticaba

Kiwi

Limão com hibisco

Manga

Maracujá

Maracujá com baunilha

Melancia detox (a parte verde é "detox", não tem açúcar e eu não gostei =P, 
a parte vermelha parece melancia congelada)


Morango com creme (delícia!)


Morango com leite condensado

Picolé de Negresco

Paçoca

 Tangerina














#ficadica ;)